História e Evolução dos Computadores
Nos dias de hoje, quando se ouve falar num
processadores de 1 GHz até nos dá sono, de tão comuns que eles já se tornaram.
Pouca gente já ouviu falar no 8088, que foi o processador usado no PC XT,
a quase 20 anos atrás, e muito menos no Intel 4004, o primeiro
microprocessador, lançado em 71.
Na época dos nossos bisavós os computadores já
existiam, apesar de extremamente rudimentares. Eram os computadores mecânicos,
que realizavam cálculos através de um sistema de engrenagens, acionado por uma
manivela ou outro sistema mecânico qualquer. Este tipo de sistema, comum na
forma de caixas registradoras era bastante utilizado naquela época.
No final do século XIX surgiu o relê, um
dispositivo eletromecânico, formado por um magneto móvel, que se desloca unindo
dois contatos metálicos. O Relê foi muito usado no sistema telefônico, aliás
algumas centrais analógicas ainda utilizam estes dispositivos até hoje. Os
relês podem ser considerados uma espécie de antepassados dos transístores.
Suas limitações eram o fato de serem relativamente caros, grandes demais e ao
mesmo tempo muito lentos: um relê demora mais de um milésimo de segundo para
fechar um circuito, mais de dez milhões de vezes mais lento que um transístor
atual.
Também no final do século XIX, surgiram as
primeiras válvulas. As válvulas foram usadas para criar os primeiros
computadores eletrônicos, na década de 40.
As válvulas tem seu funcionamento baseado no
fluxo de elétrons no vácuo. Tudo começou numa certa tarde quando Thomas Edison,
inventor da lâmpada elétrica estava brincando com a sua invenção. Ele percebeu
que ao ligar a lâmpada ao polo positivo de uma bateria e uma placa metálica ao
polo negativo, era possível medir uma certa corrente fluindo do filamento da
lâmpada à chapa metálica, mesmo que os dois estivessem isolados. Havia sido
descoberto o efeito termoiônico, o princípio de funcionamento das válvulas.
As válvulas já eram bem mais rápidas que os
relês, atingiam frequências de alguns Megahertz, o problema é que aqueciam
muito, consumiam muita eletricidade e queimavam-se facilmente. Construir um
computador, que usava milhares delas era extremamente complicado, e muito caro.
Apesar de tudo isso, os primeiros computadores
começaram a surgir durante a década de 40, naturalmente com propósitos
militares. Os principais usos eram a codificação e decodificação de mensagens e
cálculos de artilharia.
Sem dúvida, o
computador mais famoso daquela época foi o ENIAC (Electronic Numerical
Integrator Analyzer and Computer), construído em 1945. O ENIAC era composto por nada menos do que 17,468 válvulas, ocupando um galpão
imenso. Porém, apesar do tamanho, o poder de processamento do ENIAC é ridículo
para os padrões atuais, suficiente para processar apenas 5.000 adições, 357
multiplicações e 38 divisões por segundo, bem menos até do que uma calculadora
de bolso atual, das mais simples.
A idéia era construir um computador para
realizar vários tipos de cálculos de artilharia para ajudar as tropas aliadas
durante a segunda Guerra mundial. Porém, o ENIAC acabou sendo terminado exatos
3 meses depois do final da Guerra e acabou sendo usado durante a guerra fria,
contribuindo por exemplo no projeto da bomba de Hidrogênio.
Parte do galpão que abrigava o ENIAC
Se você acha que programar em C ou em Assembly é
complicado, imagine como era a vida dos programadores daquela época. A
programação do ENIAC era feita através de 6.000 chaves manuais. A cada novo
cálculo, era preciso reprogramar várias destas chaves. Isso sem falar no
resultado, que era dado de forma binária através de um conjunto de luzes. Não é
à toa que a maior parte dos programadores da época eram mulheres, só mesmo elas
para ter a paciência necessária para programar e reprogramar esse emaranhado de
chaves várias vezes ao dia.
Abaixo está a foto de uma válvula muito usada na
década de 40:
Vendo essa foto é fácil imaginar por que as
válvulas eram tão problemáticas e caras: elas eram simplesmente complexas
demais.
Mesmo assim, na época a maior parte da indústria
continuou trabalhando no aperfeiçoamento das válvulas, obtendo modelos menores
e mais confiáveis. Porém, vários pesquisadores, começaram a procurar
alternativas menos problemáticas.
Várias destas pesquisas tinha como objetivo a
pesquisa de novos materiais, tanto condutores, quanto isolantes. Os
pesquisadores começaram então a descobrir que alguns materiais não se
enquadravam nem em um grupo nem no outro, pois de acordo com a circunstância,
podiam atuar tanto quando isolantes quanto como condutores, formando uma
espécie de grupo intermediário que foi logo apelidado de grupo dos
semicondutores.
Haviam encontrado a chave para desenvolver o
transístor. O primeiro projeto surgiu em 16 de Dezembro de 47, onde era usado
um pequeno bloco de germânio (que na época era junto com o silício o
semicondutor mais pesquisado) e três filamentos de ouro. Um filamento era o
polo positivo, o outro o polo negativo, enquanto o terceiro tinha a função de
controle. Tendo apenas uma carga elétrica no polo positivo, nada acontecia, o
germânio atuava como um isolante, bloqueando a corrente. Porém, quando uma
certa tensão elétrica era aplicada usando o filamento de controle, uma fenômeno
acontecia e a carga elétrica passava a fluir para o polo negativo. Haviam
criado um dispositivo que substituía a válvula, sem possuir partes móveis,
gastando uma fração da eletricidade gasta por uma e, ao mesmo tempo, muito mais
rápido.
O primeiro projeto de transístor.
Este primeiro transístor era relativamente
grande, mas não demorou muito para que este modelo inicial fosse aperfeiçoado.
Durante a década de 50, o transístor foi gradualmente dominando a indústria,
substituindo rapidamente as problemáticas válvulas. Os modelos foram diminuindo
de tamanho, caindo de preço e tornando-se mais rápidos. Alguns transístores da
época podiam operar a até 100 MHz. Claro que esta era a freqüência que podia
ser alcançada por um transístor sozinho, nos computadores da época, a
freqüência de operação era muito menor, já que em cada ciclo de processamento o
sinal precisa passar por vários transístores.
Mas, o grande salto foi a substituição do
germânio pelo silício. Isto permitiu miniaturizar ainda mais os transístores e
baixar seu custo de produção. Os primeiros transístores de junção comerciais
foram produzidos partir de 1960 pela Crystalonics.
A idéia do uso do silício para construir
transístores é que adicionando certas substâncias em pequenas quantidades é
possível alterar as propriedades elétricas do silício. As primeiras
experiências usavam fósforo e boro, que transformavam o silício em condutor por
cargas negativas ou condutor por cargas positivas, dependendo de qual dos
dois materiais fosse usado. Estas substâncias adicionadas ao silício são
chamadas de impurezas, e o silício “contaminado” por elas é chamado de silício
dopado.
O funcionamento e um transístor é bastante
simples, quase elementar. É como naquele velho ditado “as melhores invenções são
as mais simples”. As válvulas eram muito mais complexas que os transístores e
mesmo assim foram rapidamente substituídas por eles.
Um transístor é composto basicamente de três
filamentos, chamados de base, emissor e coletor. O emissor é o polo positivo, o
coletor o polo negativo, enquanto a base é quem controla o estado do
transístor, que como vimos, pode estar ligado ou desligado. Veja como estes
três componentes são agrupados num transístor moderno:
Quando o transístor está desligado, não existe
carga elétrica na base, por isso, não existe corrente elétrica entre o emissor
e o coletor. Quanto é aplicada uma certa tensão na base, o circuito é fechado e
é estabelecida a corrente entre o emissor e o receptor.
Outro grande salto veio quando os fabricantes
deram-se conta que era possível construir vários transístores sobre o mesmo waffer de
silício. Havia surgido então o circuito integrado, vários transístores dentro
do mesmo encapsulamento. Não demorou muito para surgirem os primeiros
microchips.


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